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Falta de médicos no Hospital das Caldas sobrecarrega turnos

Médicos de serviço à urgência no hospital das Caldas da Rainha num dos últimos fins de semana não tinham quem os substituísse no fim do turno e após 24 horas de trabalho, denunciou a Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos.

05-11-2021 | Francisco Gomes

A falta de profissionais de saúde, nomeadamente de médicos, quer por preferirem fazer o mesmo serviço em unidades privadas onde ganham mais ou por não existirem candidatos em número suficiente para preencher as vagas, situação agravada por aposentações sem substituição, levou a que tivesse de ser pedido aos médicos que estavam na urgência do hospital das Caldas da Rainha para fazerem mais horas.
“Houve colaboração de todos e não foi nenhum doente deixado de lado, apesar dos médicos estarem exaustos”, revelou Vitor Dinis, da Comissão de Utentes do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), que diz ter confrontado a administração hospitalar com esta situação.
Mas à nossa reportagem, a administração não respondeu a três simples perguntas: “A que se deveu esta situação e que consequências provoca? Como foi resolvida? Há possibilidade de voltar a repetir-se?”.
Vitor Dinis assegurou ter sido uma “situação pontual”, mas que “é difícil de resolver”. “Até aqui a administração não tinha condições para contratar derivado aos orçamentos e havia restrições. Agora há todas as condições para poder contratar médicos, só que eles não existem e isso é preocupante”, manifestou.
Em relação aos recursos humanos, recentemente foi relatado pelo gabinete da ministra da saúde que têm vindo a ser atribuídos incentivos ao CHO (onde se insere o Hospital das Caldas da Rainha, para além das unidades de Torres Vedras e Peniche) para atrair médicos.
Foram atribuídos dez postos de trabalho com direito a incentivo de natureza pecuniária. Encontram-se já onze médicos no CHO a receber incentivos atribuídos em anos anteriores. O CHO disponibiliza ainda alojamento para médicos em várias circunstâncias, numa perspetiva de facilitação da fixação.
Alexandre Lourenço, presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos, aponta que “os salários são ridículos”. “Há uma perda de capacidade salarial e os jovens médicos migram para outros sistemas, também devido às condições de trabalho e à capacidade de inovação e de aplicação de conhecimentos novos que escasseia nestes hospitais”, afirmou, defendendo que “já devia ter sido feita uma reforma do sistema de saúde”.
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